"Onde está a marreta?"
Por que você deveria perguntar a mesma coisa no seu trabalho
"Onde está a marreta?"
É assim que eu responderia a meu chefe se ele me pedisse ajuda para demolir uma parede no escritório. Parece loucura, dado que somos da área de Finanças? Talvez. Mas essa mentalidade de "ser pau para toda obra" foi exatamente o que impulsionou minha carreira de formas que eu nunca imaginei.
Recentemente discuti sobre como a “exposição” é o fator mais importante para o crescimento profissional (caso não tenha lido, veja o artigo aqui). Mas existe uma outra característica que potencializa a exposição e que você não deveria ignorar: usando o português claro, é ser “pau para toda obra”.
Hoje vou te contar por que estar disposto a "botar a mão na massa" pode ser seu maior diferencial profissional - mesmo quando muitos dizem o contrário.
Não seja a pessoa do tipo “analista-CEO”
Algumas pessoas vão torcer o nariz para ideia do “ser pau para toda obra” - principalmente aquele perfil de pessoas que nós costumeiramente chamamos de “analista-CEO”…
Essa é aquela brincadeira com fundinho de verdade. Mas qual é a ideia por trás desta brincadeira? Muitas pessoas saem de um curso (curta duração, longa duração, faculdade, enfim, qualquer um) com a impressão de que sabem tudo. Elas discutiram casos de negócio, estruturaram automações, estudaram sobre o comportamento humano, escreveram planos de negócio… Todo aquele conteúdo da sala de aula parece automaticamente aplicável no dia a dia da empresa, o que faz da pessoa que o detém um “ativo de altíssimo valor” instantaneamente.
Sim, você tem seu valor, e todo o seu estudo e suas experiências lapidam este valor. Mas o dia a dia em uma empresa é milhares, talvez milhões de vezes, mais complexo que na aula:
O número de variáveis a serem consideradas na vida real é ordens de grandeza maior que na aula - a um ponto em que é impossível analisar todas as variáveis
Você precisa lidar com outras pessoas de maneiras para as quais não se preparou antes: ego, estilos de comunicação diferentes, pessoas que não se identificam com você, pessoas diretas demais, pessoas prolixas demais, etc.
Você descobre que NÃO se comunica bem. Por exemplo, adota um estilo de escrita muito longo porque isto funcionava nos trabalhos do curso , enquanto nos negócios, quanto mais direto for o texto, melhor. Ou usa jargões demais, ou não encontra a “hora certa” para entrar na discussão e dar sua opinião.
Você precisa entregar valor o tempo todo e aguentar a pressão proveniente disso
A lista é infinita!! Mas é isso, o ambiente de trabalho não é nem um pouco simples.
Acredite, existe valor em trabalhos chatos
Quanto mais no início da carreira você está, mais lacunas você tem. Além de se desenvolver, você precisa entregar de maneira consistente. É aí que entra o “ser pau para toda obra”. Você precisa estar ali de corpo e alma para ajudar seu time e sua liderança da maneira que precisar (dentro de limites éticos, lógico).
Existe valor mesmo em trabalhos “chatos” e, aparentemente, inúteis. Vou citar um exemplo (se você não é da área financeira talvez este exemplo não faça tanto sentido - mas com certeza existem exemplos análogos na sua área): existe um “código internacional” de cores para serem utilizadas em planilhas financeiras.
Sejamos honestos: quem quer ficar pintando célula em planilha? Ninguém. Mas este padrão de cores REALMENTE torna as planilhas mais fáceis de entender, o que agiliza e facilita o trabalho futuro.
Este foi apenas um exemplo. Existem infinitos outros. Mas vou repetir a ideia para ficar claro: EXISTE VALOR MESMO EM TRABALHOS CHATOS.
Quando você é a pessoa que executa tudo o que é necessário para alavancar o seu time, até os trabalhos chatos, você ganha duas coisas muito importantes:
Aprendizado - você se expõe a tantas situações diferentes que seu conhecimento cresce rapidamente, o que te habilita para ter novos desafios, o que potencializa o aprendizado. É um ciclo contínuo.
Confiança - as pessoas sabem que podem confiar em você, e vão buscar manter você por perto. Elas te convidam para para mais reuniões, o que te ajuda a fazer parte de mais projetos, etc.
Esses dois ganhos impulsionam sua carreira rapidamente. Em pouco tempo suas entregas evoluem e seu perfil profissional muda. Por isso, lembre-se: “Onde está a marreta?”
Abraços,
André
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Excelente texto!